Suicídio em adolescentes: o que precisamos saber?



Caso você tenha pensamentos suicidas, procure ajuda! Você não está sozinho.

Ligue 188 – Centro de Valorização da Vida (CVV)


De acordo com a Organização Mundial da Saúde, cerca de 800 mil pessoas cometem suicídio todos os anos. Este é a segunda maior causa de morte entre os jovens com idade entre 15 e 29 anos. No Brasil, a cada 46 minutos uma pessoa tira a sua vida. A adolescência é uma fase da vida que requer uma atenção especial, principalmente pelas mudanças desenvolvimentais e sociais que os acometem. O suicídio nesta faixa etária vem aumentando ao longo dos anos, sendo necessário entender como se dá este comportamento complexo que possui vários fatores associados, como, por exemplo, cognitivo, de personalidade, social, neurobiológico e genético.


É difícil entender exatamente como se dá suicídio e quais fatores estão associados a este comportamento, pois o ser humano é subjetivo, então muitos podem ser os fatores que impulsionam e reforçam as ideações e tentativas de tirar a sua própria vida. Entretanto, existe alguns fatores de risco psicossociais do comportamento suicida em adolescentes que foram identificados em pesquisas e reunidos por Vargas-Medrano e outros autores (2020), os quais são:


1. Fatores de Personalidade: A desesperança, impulsividade, agressão e perfeccionismo são fatores de personalidade que podem estar associados a pensamentos, ideações ou tentativas de suicídio.


2. Fatores Cognitivos: rigidez cognitiva, supressão de pensamento, destemor e sensibilidade à dor, agitação e associações implícitas são alguns aspectos cognitivos que estão fortemente ligados ao comportamento suicida.


3. Fatores sociais: transmissão social (quando um parente ou conhecido próximo tentou ou cometeu suicídio), isolamento social (associado à falta de apoio e à vulnerabilidade a fatores negativos e estressores), adversidades na infância (geralmente associados a estresse, principalmente abuso físico e sexual), eventos traumáticos na vida adulta (experiências traumáticas) e doença física (quando a doença causa depressão, aumentando o risco de suicídio).


Além desses fatores, sabe-se que doença mental, abuso de álcool, transtorno por uso de substâncias e eventos negativos relacionados à família (abuso sexual e físico, negligência infantil, perda dos pais, discórdia familiar severa etc.) podem estar associados ao pensamento, ideação e/ou a tentativa de suicídio. Adolescentes LGBTQIA+ apresentam taxas mais elevadas de ideação e comportamento suicida, podendo também apresentar depressão grave e tentativas de suicido 3 vezes mais elevadas do que outros adolescentes. Outro dado importante é o aumento nas tentativas de suicídio entre jovens negros nos Estados Unidos, sendo relacionados à saúde mental e a fatores sócio etiológicos vivenciados por esses jovens, como a pobreza e a discriminação racial.


Em contrapartida, alguns fatores positivos estão associados a menor risco de desenvolver pensamentos e comportamentos suicidas, como, por exemplo, otimismo, resiliência e resolução de problemas. Acredita-se que estes podem auxiliar como fatores de proteção para reduzir as ideações suicidas.


Além dos fatores psicossociais envolvidos no suicídio, os aspectos neurobiológicos, neuroquímicos e genéticos também estão presentes nestes pensamentos e comportamentos. Alteração nas vias dopaminérgicas, serotoninérgicas e noradrenérgicas são associadas ao suicídio. Mudanças hormonais também podem estar envolvidas no comportamento suicida, principalmente em mulheres. Há uma associação entre transtorno disfórico pré-menstrual e o suicídio. Além disso, alto nível de progesterona aumentam as tentativas de suicídio em mulheres.

Estes foram alguns achados que contribuem para um melhor entendimento do suicídio em adolescentes. Algumas intervenções são indicadas para a prevenção, intervenção e tratamento do suicídio em adolescentes, como:


1. Psicoterapia: a Terapia Cognitiva-Comportamental, Terapia Comportamental Dialética e Entrevista Motivacional podem ajudar no tratamento.


2. Intervenções psicossociais: como programas de prevenção ao suicídio e programas de saúde mental.


3. Farmacoterapia: como o lítio, esketamina, cetamina, antidepressivos tricíclicos e inibidores seletivos da recaptação de serotonina.


Compreender esses fatores de riscos, de proteção psicossociais e neurobiológicos auxiliam para uma melhor compreensão do fenômeno e elaboração de estratégias para atender e lidar com adolescente com pensamentos e ideações suicidas, podendo, inclusive, nortear a entrevista clínica.


Caso você tenha pensamentos suicidas, procure ajuda! Você não está sozinho.

Ligue 188 – Centro de Valorização da Vida (CVV)



Referências:


1. Vargas-Medrano, J., Diaz-Pacheco, V., Castaneda, C., Miranda-Arango, M., Longhurst, M. O., Martin, S. L., Ghumman, U., Mangadu, T., Chheda, S., Thompson, P. M., & Gadad, B. S. (2020). Psychological and neurobiological aspects of suicide in adolescents: Current outlooks. Brain, behavior, & immunity - health, 7, 100124. https://doi.org/10.1016/j.bbih.2020.100124


2.Secretaria da Saúde do Estado da Bahia. OMS alerta: Suicídio é a 3ª causa de morte de jovens brasileiros entre 15 e 29 anos. Secretaria da Saúde, Bahia. http://www.saude.ba.gov.br/2020/09/10/oms-alerta-suicidio-e-a-3a-causa-de-morte-de-jovens-brasileiros-entre-15-e-29-anos/


3.Suicídio - OPAS/OMS | Organização Pan-Americana da Saúde. https://www.paho.org/pt/topicos/suicidio